sexta-feira, 29 de abril de 2011

Almirante Negro


Fui líder da Revolta da Chibata, a revolta dos marinheiros. Sempre me mostrando forte e companheiro, eu não aceitava os castigos impostos à nossa classe, chibatadas, e não eram poucas, já que passavam facilmente das 100. Com lei ou sem lei, naquela época a lei era feita pelo comandante do navio.
Estive 15 anos na Marinha, conheci grande parte do Brasil e do mundo, instruía soldados recém-chegados à Marinha. Nessas viagens pelo mundo, fui mandado para a Grã-Bretanha, onde tomei conhecimento de um movimento revoltoso contra as punições aos marinheiros, e reivindicando melhores condições de trabalho e trabalho.
Meus companheiros de profissão sempre me admiraram por ser um excelente timoneiro e o marinheiro mais experiente. Certamente, a pessoa mais indicada para liderar a revolta no Brasil.
Vou contar agora como se deu a revolta...


Após tomar o controle do Minas Gerais no dia 22 de novembro de 1910, fui indicado pelos demais para ser o líder. Cessaram as mortes, sob controle da situação. Foram enviadas mensagens que exigiam que os castigos físicos, como chibatadas, fossem abolidos dos navios.
Agora, eu era o Almirante Negro, figura imponente na revolta.

"Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira" 


Canhões apontados para a cidade do Rio de Janeiro, o governo cedeu e prometeu acabar com as punições
TRAIÇÃO, no dia seguinte ao desarmamento dos navios, foi decretada a expulsão dos marinheiros revoltosos da Marinha Brasileira.


Pouco depois eclodiu no quartel de Ilha das Cobras, uma revolta dos fuzileiros-navais, que não tinha relação alguma com a nossa revolta marinheira, pois não apresentava nenhuma organização ou motivo aparente. Cheguei a ordenar que houvesse um tiro de canhão em direção à ilha, era preciso mostrar lealdade ao governo.


Nada adiantou, fui expulso da Marinha.






Fontes:
www.wikipedia.com.br

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rio de Janeiro, Brasil, 22 de Novembro de 1910

Hoje, 2400 marinheiros como eu, conseguiram se reunir. Um de nós, marinheiro, Marcelino Rodrigues, foi castigado com 250 chibatadas, ainda nas embarcações. Admitimos que além dele levar cachaça para o navio, Marcelino feriu um colega da marinha, dentro de encouraçados, mas acreditamos que esse castigo foi desumano, e temos que agir. E ainda dizem que a escravidão já está terminada. Infelizmente para nós, que sofremos constantes preconceitos, e temos que agüentar as conseqüências, não.

                Decidimos agir. Nos reunimos, e agora o clima iria ficar tenso e perigoso.  O motim se agravou e matamos o comandante do navio e três policiais. Conseguimos o apoio dos marinheiros das embarcações de São Paulo. Queríamos nos manifestar causando medo aos nossos superiores, 
fazendo com que eles mudassem sua opinião. 


Fontes:


A vida de um marinheiro

Novembro de 1910, Rio de Janeiro, Brasil.

Nós, marinheiros, vimos sofrendo constantemente castigos físicos, impostos como vinte e cinco chibatadas por faltas que ocasionalmente fazemos, gerando conseqüências como nosso sofrimento por parte nossos superiores.  

A Marinha de Guerra decreta que: 
"Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo."

                Marinheiros como nós, quase todos negros ou mulatos, por mais que sejamos contratados por um oficialato branco, notamos que a marinha não adota esse tipo de punição em suas embarcações. Somos aprisionados em selas destinadas ao isolamento. Necessitamos de uma alimentação mais saudável e, além disso, uma lei de reajuste de nossos honorários, que por sinal já foi votada pelo Congresso. Eles dizem que as punições têm como objetivos disciplinar-nos.
Observamos também que o tratamento sofrido por nós é o mesmo tratamento da escravidão, abolida em 1888. Devemos admitir que planejamos sim uma revolta, apenas estamos esperando a união de todos nós, marinheiros, para poder dar início a esta.



A realidade da classe naval

Fontes: